Manutenção e Cuidados
Por Redação•
Pode misturar álcool e gasolina?
Mitos e dúvidas sobre a mistura álcool e gasolina nasceram há 20 anos, mas até hoje confundem os usuários de carros flex.

Em algum momento no posto de combustível, quem compra, aluga ou faz assinatura de carro deve ter se perguntado se pode misturar álcool e gasolina. Veículos flex-fuel projetados para esse fim possibilitam a junção dos dois combustíveis. Neste caso, não há qualquer problema na união. No entanto, é importante seguir algumas orientações para obter o máximo proveito da mistura etanol e gasolina no carro flex.

A frota de veículos flex superou a movida exclusivamente a gasolina e os números são impactantes: em 20 anos de presença no mercado automotivo brasileiro, já foram produzidos 40 milhões de automóveis flex. Definitivamente, a possibilidade de trocar de combustível conforme a necessidade conquistou os condutores.
De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), atualmente 83% dos carros vendidos têm alimentação flex. O restante, se divide entre motor apenas à gasolina, diesel e híbridos (combustão e elétrico).
Quais carros podem misturar álcool e gasolina?
Os carros que podem misturar álcool e gasolina são os veículos flex-fuel, pois graças ao sistema de injeção equipado com sensores que ajustam automaticamente a quantidade de combustível introduzido com base na mistura, conseguem lidar com as diferentes proporções do abastecimento.
Os fabricantes de veículos flex utilizam um componente chamado sonda lambda em sua fabricação. Ela analisa os gases liberados pelo motor e é fundamental para o funcionamento correto do automóvel. Portanto, é importante estar com as manutenções periódicas e as revisões em dia.

Quando lançaram os motores flex, as pessoas costumavam ouvir que era necessário escolher entre gasolina e etanol para não “confundir” o sistema. Mito! O sensor lambda consegue identificar o que está alimentando o motor. Além disso, os produtores já misturam 27% de etanol à gasolina vendida no Brasil, o que torna a “confusão do sistema” sem sentido.
Outra informação que não condiz com o momento atual dos veículos flex e híbridos flex é a necessidade de esvaziar o tanque antes de fazer a troca. Carro flex não tem preferência, essa é uma escolha pessoal de quem abastece. Zerar o tanque só é válido caso o motorista deseje saber qual combustível é mais vantajoso na escolha entre etanol e gasolina.
Se o combustível tem qualidade garantida e, ainda assim, o carro não funcionar como previsto, leve-o para revisão na assistência técnica. Pode ser que haja algum dano na sonda lambda.
É importante estudar o manual do veículo ou entrar em contato com o fabricante para obter informações precisas sobre as especificações do carro, especialmente pessoas que usam carros por assinatura ou veículos alugados, a fim de evitar problemas ou despesas extras no momento da devolução.
Qual deve ser a proporção da mistura álcool e gasolina no carro?
A proporção da mistura de álcool e gasolina em um veículo flex pode variar dependendo do modelo e das recomendações do fabricante. No Brasil, por exemplo, as misturas mais comuns são 20% de etanol e 80% de gasolina; 27% de etanol e 73% de gasolina; 50/50, ou seja, abastecer com os dois combustíveis, metade para cada um.

Vale destacar que motoristas que optam pelo uso da gasolina aditivada se beneficiam do auxílio que ela traz para a limpeza da composição motriz do carro por conta das propriedades que impedem a formação de depósitos ‘carvão’ dentro do motor. Como efeito, a longo prazo, a gasolina aditivada evita o aumento do consumo de combustível e a perda de desempenho do veículo.
É importante seguir as recomendações do fabricante para garantir o desempenho adequado do veículo, a eficiência do combustível e a durabilidade do motor.
Quais são os riscos de misturar álcool e gasolina no carro?
Antes de mais nada, veículos flex e híbridos flex podem funcionar com os dois combustíveis de modo separado ou com a mistura de ambos em qualquer proporção.
Carros que não são projetados para operar com a mistura entre álcool e gasolina, como os motores carburados antigos, podem ter danos.
Neste caso, juntar álcool e gasolina pode causar não apenas problemas de ignição e combustão no motor, acúmulo de resíduos, desgaste excessivo das peças, como também aumentar o risco de acidentes por falhas mecânicas.

Riscos para carros que não são flex
Danos ao motor
Isso ocorre porque a composição química do álcool é diferente da gasolina e requer ajustes específicos no sistema de combustível para operar corretamente.
Diminuição do desempenho
A mistura incorreta de álcool e gasolina pode afetar negativamente o desempenho do veículo levando a perda de potência, dificuldade de partida, falhas no funcionamento do motor e diminuição da eficiência de combustível.
Danos ao sistema de combustível
O álcool tem propriedades solventes diferentes da gasolina, o que pode causar corrosão e entupimentos nessas peças. Incluindo componentes como bomba e filtro de combustível, bicos injetores.
Problemas de segurança
Falhas no motor podem resultar em perda de controle do veículo, especialmente em situações críticas de direção, como ultrapassagens ou manobras evasivas.
Se o veículo não for flex, recomenda-se não fazer a mistura. Você deve abastecer apenas com o combustível especificado pelo fabricante.
Qual é o melhor álcool para misturar com a gasolina?
Em primeiro lugar, álcool e etanol são a mesma substância. Em 2010, a partir de uma resolução da Agência Nacional do Petróleo (ANP), os postos passaram a utilizar a palavra “etanol”, popularmente, chamado de álcool.
Produzido a partir de fontes renováveis, como cana-de-açúcar, milho, beterraba e outros produtos agrícolas, o etanol possui uma alta octanagem, o que pode contribuir para um melhor desempenho do motor em algumas situações.

A qualidade do etanol pode variar, dependendo do processo de produção. Atualmente, os consumidores podem encontrar dois tipos de etanol: o “etanol hidratado”, que é o comprado na bomba, e o “etanol aditivado”, que oferece melhor rendimento (menos quilômetros rodados por litro) e provoca um desgaste menor do motor. Sendo assim, tecnicamente, o ideal seria unir etanol aditivado e gasolina aditivada.
Lembre-se que a gasolina deve atender a especificações de pureza, como baixos teores de enxofre e contaminantes. Isso ajuda a garantir a eficiência do motor e a redução de emissões de gases poluentes.
Resumindo, a melhor mistura de álcool e gasolina é a que atende aos padrões de qualidade, tem octanagem adequada e é recomendada pelo fabricante do veículo.