O mundo dos carros é repleto de histórias e conquistas que moldaram sua importância econômica e tecnológica. Mesmo em um universo dominado por homens, a participação feminina fez e ainda faz a diferença. Desde os primórdios da indústria automotiva, inovações como o limpador de para-brisa, a seta indicadora e, claro, desafiar os padrões sociais, são legados de mulheres que ultrapassaram expectativas destinadas a elas.
Segundo a pesquisa “Diversidade no Setor Automotivo” conduzida pela
Automotive Business (AB) e MHD Consultoria, as mulheres representam 19,7% da força de trabalho no setor automotivo em comparação com 80,3% dos homens.
Os dados são de 2019, mas revelam que ainda há um longo percurso a ser trilhado.
A presença das mulheres no setor automotivo é fundamental em vários aspectos. Primeiramente, porque inspira outras mulheres a ingressarem em áreas historicamente dominadas por homens. Em segundo lugar, ajuda a desfazer os estigmas que perpetuam narrativas de fragilidade, incapacidade e invalidação.

Nos últimos anos, as mulheres vem ocupando uma variedade de cargos e áreas como engenharia, tecnologia da informação, mecânica, pesquisa e inovação, marketing e customer experience. A força e as ideias femininas ultrapassam os muros das montadoras e adentram nas concessionárias com conhecimento e confiança, demonstrando que as mulheres entendem de carros, sim.
Para celebrar o Dia Internacional da Mulher neste, dia 8 de março, compartilhamos algumas histórias inspiradoras de mulheres que deram partida na presença feminina no setor automotivo. Elas abriram caminho para outras mulheres que, seguindo seus passos, desafiaram paradigmas e contribuíram para impulsionar a transformação dessa indústria.
Mulheres de destaque no setor automotivo
Duquesa Anne d’Uzès

Personalidade notável no setor automotivo francês, a Duquesa Anne d’Uzès, se destacou no início do século XX ao participar de corridas de automóveis, desafiando os padrões sociais da época. Sua presença foi fundamental para quebrar barreiras de gênero e promover a aceitação das mulheres no mundo dos veículos.
Em 1898, tornou-se a primeira mulher a obter uma carteira de habilitação para dirigir automóveis. Foi também a primeira mulher a receber uma multa por excesso de velocidade, ao ser flagrada a 12 km/h.
Com uma ocupação diversificada, sendo poetisa, piloto de carros, escultora, escritora e empresária. Sua principal contribuição para a presença feminina no setor automotivo foi a fundação e presidência do Clube de Automobilismo Feminino da França, onde foi presidente até sua morte em 1933, aos 85 anos.
Rosa Helena Schorling

Nascida em 1919, em Viana, no Espírito Santo, Rosa Helena Schorling tornou-se, aos 12 anos, a primeira brasileira a obter a carteira de habilitação. Além desse grande feito, ela foi a primeira brasileira a realizar um salto de paraquedas e a primeira capixaba a pilotar um avião no estado.
Como engenheira, chamou a atenção com suas contribuições no mundo automotivo. Sua atuação abrangeu pesquisa e desenvolvimento de componentes automotivos, bem como a busca por inovações para impulsionar a indústria automobilística. Conhecida afetuosamente como “Dona Rosita”, faleceu em 2017, aos 98 anos, deixando um legado inspirador para as gerações futuras.
Alice Huyler Ramsey

Alice Ramsey fez história ao se tornar a primeira mulher a conduzir um runabout Maxwell pelos Estados Unidos de costa a costa, em 1908. Essa notável jornada foi concluída em 7 de agosto de 1909.
Durante sua viagem épica, Ramsey enfrentou desafios mecânicos, trocando pneus 11 vezes, limpando as velas de ignição e consertando um pedal de freio quebrado. Ela até precisou dormir no carro quando o mesmo ficou preso na lama. Seu feito desafiou a crença da época de que apenas homens podiam se aventurar em longas viagens de carro.
Ela também participou da corrida de resistência Montauk Point da American Automobile Association (AAA), dirigindo um dos três Maxwells inscritos, sendo uma das únicas duas mulheres na competição. Ela recebeu a medalha de bronze. Naquela época, as mulheres não eram encorajadas a dirigir carros.
Em 17 de outubro de 2000, Alice Ramsey entrou para o Automotive Hall of Fame, tornando-se a primeira mulher a receber essa honraria. Sua coragem e determinação inspiraram gerações futuras de mulheres no mundo dos automóveis.
Shirley Muldowney

Shirley Muldowney é uma verdadeira lenda no mundo das corridas de arrancada. Ela foi a primeira mulher a conquistar o campeonato da National Hot Rod Association (NHRA) na categoria Top Fuel, em 1977.
Sua habilidade e determinação abriram caminho para outras mulheres que queriam competir nas corridas de carro. Seu desempenho nas pistas demonstrou que as mulheres eram capazes de competir em igualdade de condições com os homens em esportes automotivos de alta performance.
E a história não termina aí. Em 1980 e 1982, Muldowney conquistou novamente o título no Top Fuel, tornando-se a primeira pessoa a ser campeã três vezes na mesma categoria. Seu legado continua vivo até os dias de hoje.
Florence Lawrence

Florence Lawrence, atriz e inventora, desempenhou um papel importante no setor automotivo ao patentear o primeiro sistema de sinalização automática para veículos, conhecido como “Auto-Signaling Arm”, em 1914.
Esse dispositivo representou uma grande contribuição para a segurança, permitindo que os motoristas indicassem suas intenções de virar à esquerda ou à direita sem a necessidade de gestos manuais.
Naquela época, a seta não era ainda como as que você conhece atualmente. A atriz e inventora contribuiu para a prevenção de acidentes instalando bandeirinhas nos pára-lamas do carro. Ao serem acionadas por botões ou alavancas no interior do veículo, as bandeirinhas esquerda ou direita se levantavam, indicando a direção pretendida.
Da mesma forma, o alerta de frenagem também foi uma ideia de Lawrence. No entanto, em vez de luzes de freio em LED como as presentes nos carros modernos atuais, na ocasião, quando o motorista pressionava o pedal de freio, uma placa com a palavra “Stop” (Pare) alertava o motorista que vinha atrás. Essas inovações demonstram o impacto significativo que as mulheres tiveram no desenvolvimento da segurança automotiva.
Mary Anderson

Mary Anderson ficou famosa por inventar o primeiro sistema de limpadores de pára-brisa práticos em 1903. Assim como Florence Lawrence, ela revolucionou a segurança dos veículos, melhorando a visibilidade dos motoristas em condições climáticas adversas, como chuva e neve. Embora tenha enfrentado desafios para comercializar sua ideia, os limpadores se tornaram um equipamento fundamental em todos os veículos, beneficiando motoristas em todo o mundo.
A invenção nasceu em 1902, durante uma viagem de Mary Anderson a Nova Iorque, nos EUA. Além de se incomodar com o trânsito já caótico naquela época, ela se preocupou com o inverno, que comprometia a visibilidade. Foi quando ela desenhou em um caderno o primeiro limpador de para-brisa, algo semelhante a um rodo acionado por uma manivela na cabine, uma ideia que se assemelha ao que temos hoje, embora fosse totalmente mecânica na época.
No entanto, sua popularização não ocorreu por meio da invenção de Anderson, mas sim de outras patentes. Ainda assim, toda a indústria reconhece Mary Anderson como a grande criadora dessa tecnologia fundamental.
Bertha Benz

Bertha Benz é facilmente reconhecida pelo sobrenome, sendo ela a pessoa responsável por impulsionar a carreira de Karl Benz, um dos fundadores da Mercedes-Benz.
Ela desempenhou um papel fundamental na popularização do automóvel ao realizar a primeira viagem de longa distância em 1888, ao conduzir um veículo Benz Patent-Motorwagen de Mannheim a Pforzheim, na Alemanha.
Em 1888, os carros ainda eram considerados apenas um invento. Karl Benz estava trabalhando em seus protótipos chamados Motorwagen, os quais ainda geravam muita estranheza e insegurança nas pessoas da época.
O veículo era de três rodas, com um motor de 2,5 cv e atingia uma velocidade máxima de 40 km/h. Sem GPS, ela seguiu as marcas no chão deixadas pelas carruagens para não se perder.
A determinação e coragem de Bertha Benz ajudou a fornecer feedbacks para melhorias no projeto do veículo, contribuindo indiretamente para o desenvolvimento futuro dos automóveis.
Presença das mulheres na indústria automotiva

É inegável que muitas barreiras já foram ultrapassadas, mas as mudanças precisam continuar acontecendo em prol da igualdade de gênero. Segundo o
relatório da Automotive Business, a distribuição da força de trabalho feminina no setor automotivo é a seguinte:
– 56% em linhas de produção e manufatura
– 7% em áreas de marketing e vendas
– 7% em compras, suprimentos e logística
– 5% em engenharia e P&D
– 5% em recursos humanos
– 4% em contabilidade e finanças
– 1% em TI
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